sábado, 25 de dezembro de 2010
Processo finalizado, por enquanto
Passou um tempo, tempo letárgico, tempo necessário, seu tempo. As coisas poderiam ocorrer em outro tempo, até acontecem, não na maneira desejada. Mas esses dias têm sido de boa colheita, as sementes não foram as melhores, mas o terreno, as mãos que cuidaram, as águas foram generosas. As pessoas passaram, os conflitos resolvidos, uma certa tranquilidade volta a conviver pacificamente com os seus dias. Dias de bonança, de bom agouro! Momento de aproveitar, porque não se sabe o que está à espreita. Mas uma frase não lhe sai da cabeça, neste instante: "When the soul wants… the soul waits …". Ela esperou, esperou o seu tempo.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Processo de enraizar - parte 3
Há processo mais rápidos, outros demorados demais, esse... não dá prá precisar o tempo cronológico. Tem momentos onde tudo some, não há nada a dizer, a sentir, a lamentar, nada! Um leve vazio invasor no peito que a faz entrar em um estado de sonolência, de torpor, quase uma embriaguez. Outro momento de puro êxtase que a faz lembrar que é possível imaginar sua vida de uma outra maneira. No entanto, ao largo das oscilações, a certeza que a postura precisa ser outra, que ela precisa ir a outro lugar, conhecer outras pessoas, outros modos de vida, esquecer de procurar auto-afirmação porque esse tempo já deveria ter passado, isso a faz sentir tão, mas tão cansada... arrancar raiz é um trabalho muito árduo, com poucas tréguas emocionais, mas ela deve cruzar a fronteira, só não sabe como, e o pior, quando.
sábado, 4 de setembro de 2010
Processo de enraizar - parte 2
Para enraizar é preciso terreno limpo. As raízes velhas ou estragadas, as reais tangíveis e as reais que fazem doer ou mesmo aquelas que não doem mais têm que ser arancadas. Bem no final da noite de ontem, o toque de sempre, mobilizador. Ela recebeu prontamente junto aos seus. Ela ouviu, ouviu, brincou, dançou, prestou atenção nas reações, sentiu o acolhimento, a procura e até mesmo uma doce reclamação da não procura, tudo foi bem recebido. Mas hoje, no final da manhã, uma frase sinalizou que aquela raiz dever ser arrancada: um plano de futuro, uma meta consciente e buscada não a incluía. Isso explicou muito sobre atitudes longamente acompanhadas... a raiz começou a ser arrancada pois a chave de casa, dessa fez, ficou. Ela não lamentou. O tempo entre eles passa corrido demais, prá muita a coisa a ser feita. E o tempo entre eles demora muito a chegar prá voltarem ao processo, não de enraizar, mas o de desenraizar... o terreno precisar ser limpo.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Processo de enraizar - parte 1
Olhou para os lados e sentiu que algo estava diferente. Não sabe ao certo, mas está. Ainda no mesmo lugar, as feições familiares, os lugares de sempre, mas tudo confuso. Em processo há anos, tentando se enraizar na própria terra, entre os seus, na própria casa. O melhor a fazer, nesse instante, é arrancar as raízes que não lhe servem, bem que ela não sabe ao certo o que lhe faz mal, nem o que lhe faz bem. São faces da mesma moeda. Por enquanto, papéis são rasgados, doa-se livros, geladeira, fita de vídeos, computador, impressora, mesa, roupas, sapatos, presenteia e se presenteia, sai só, encontra-se com pessoas possíveis, vai encarar um fantasma pendente e uma pequena viagem, com uma estalagem, comida e carinho. Até aí, ela acha que dá conta. Depois, ela vai ver o que fará.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Eu vou... destino: Brisbane
Cerca de 2 anos atrás em busca de uma linha de trabalho para doutorado, uma amiga se deparou com um tema muito 'criativo'. Embarcou nessa e me chamou para viajar no tema. Isso foi tomando forma... outras pessoas apareceram, ideias foram sendo somadas, um projeto foi elaborado e enviado para um órgão de fomento, outras tantas pessoas foram sendo acionadas. Nos intervalos, eu ficava meio cética de que as coisas podiam caminhar, afinal de contas, a proposta era conhecer a experiência lá do outro lado do mundo. O tempo foi passando. O projeto foi aprovado, as pessoas mais confiantes monitoraram sabiamente e tudo correu bem. Claro que durante o percurso, não acreditávamos que ia dar tão certo, mas o esforço foi feito e admito, sou quase uma benficiada nessa história toda porque pouco fiz. Mas com a generosidade dos amigos que me enxergam com lentes desfocadas, cá me encontro. Exatamente há um ano atrás eu estava no México. Fazia um tempo que não viajava prá tão longe. Mas as coisas sempre acontecem, insito nisso. E hoje, daqui a exatamente 5 horas, estarei embarcando para Brisbane, capital de Queensland, Austrália. Vou prá muito, muito longe. Vou contra rotação da terra. Vou para o 'futuro', claro que com data e hora certas para a volta ao passado... mas vou e quem sabe, eu volto de novo prá lá.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Um pro lado, outro para outro
Eles viajam quase no mesmo dia. O mais intrigante é que 7 meses atrás, iriam juntos. Mas as coisas aconteceram de maneira diferente do planejado e eles viajarão, mas cada um para um destino, com propósitos distintos, tempos de permanência diferentes. Essas viagens podem mudar a vida de cada um, como também tudo permanecer como conhecido. Ao que parece, muita coisa vai acontecer. Ela receia o passado e seu poder de resgaste. Ela receia também que as coisas pulsem de tal maneira que o movimento seu será de migração. Ela deseja uma coisa e quer outra. Dele, pouco sabe. Só suas palavras, que ela, no fundo, desconfia de que não sejam cumpridas porque sabe que a força do tempo, o poder do sentimento e da fantasia são fortes. De qualquer maneira, a chave da casa ficou, de qualquer maneira, haverá sim o retorno dos dois, não para o mesmo ponto, mas para aquele lugar. Inevitavelmente ela saberá do que ocorreu nesses dias que ela foi para o lado de lá e ele, para o lado de cá.
P.S: Desencontro, Raposo de França, 1982
P.S: Desencontro, Raposo de França, 1982
Encontro casual, palavras e auto-engano
Uma parada para abastecer o carro. Por alguns minutos hesitou em não ser atendida em uma determinada bomba, preferiu 'a de sempre'. Essse tempo foi o suficiente para que as coisas acontecessem. Subitamente, um susto. Ela imaginou um assalto, uma ofensa e, com coração aos pulos, ela raivosamente se preparou para reagir quando deu de cara com aquele rosto tão familiar. O coração teve outro sobressalto, de outra natureza, mas ela não deixou notar. Troca de palavras, tentativa de explicações para a distância silenciosa, um futuro encontro, um não desencantado, tempo passando, o frentista esperando o pagamento, a despedida, um longo beijo na face dele, um outro em sua face, mais demorado, mais audacioso e um beijo de boca longo 'roubado', muito desejado. Ao final do dia de trabalho, ao chegar em casa, ela repassava cada minuto daquele encontro. Novamente o telefone, como que respondendo protamente ao desejo dela, toca. Era ele. Pediu para encontrá-la, queria conversar, vê-la, ficar junto. Um charme de resistência de um lado, um charme de desistência do outro e finalmente cederam e começou a roda viva, de novo. Reânimo no corpo, todos os sentidos aguçados, boa conversa, noite tumultuada, um pedido, um aceite, prolongamento do auto-engano. Naquele dia, só podiam ter ido até ali, não mais que até ali.
P.S: O Beijo, de Constantin Brancusi, 1910.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Presa na lentidão
Especialmente hoje, ela precisava de um fechamento verbal devido a ocorrência de novos fatos. Mas isso foi pela manhã. Ao final da tarde, ela percebeu que não precisava de nada disso. As palavras não cabiam mais, eram desnecessárias, não a favorecia em nada. Era um pretexto, puro pretexto de ficar próxima de quem não a quer por perto. Esse foi o choque da realidade que sempre esteve onde ela sempre estar, ali, majestosa, diante de nossos olhos. Ela finalmente acordou. A realidade não lhe convém, mas não há opção. Se pudesse, certamente estaria fazendo, planejando, curtido outras coisas, mas a situação foi outra. O bom é que pelo distanciamento, o controle voltou à suas mãos. Só o controle, não o bem-estar. Mas ela acredita que virá, com o tempo virá. Esses meses e outros que virão servirão de educação. A apredizagem dela é letárgica, mas ela aprende. Uma lástima que seja da pior maneira, mas o que fazer, cada um tem o seu tempo, o dela é esse... L E N T O...tão lento...
quinta-feira, 1 de julho de 2010
À espera que o tempo passe...
Os dias estão largos demais. Por mais que durma, ela está exausta... não suporta vozes, há momentos que até consegue sorrir espontaneamente, mas ainda assim, é sacrifício demais. Ao seu redor, o quebra-cabeças do universo falta peças ou não se encaixa. Ela deve a todos e todos cobram dela e ela não sabe nem por onde começar a quitar seus débitos. Antes fossem dívidas materiais, mas são dívidas bem piores. O controle está flutuante. Mas não há medo, não há raiva, só a velha companheira da impaciência que ronda há anos sua vida. Não há caminho de volta, não há mais atalhos, um linha reta que ela se nega a seguir. Uma vontade louca de ficar no casulo, sem ser incomodada por um longo tempo, mas seria pior esse isolamento. Por enquanto, estagnada à espera que esse tempo passe.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Caminhos desencontrados
Foram cinco palavras tolas que ditas de um outra maneira, quem sabe, um outro dia, não soassem tão forte prá ela. Mas, ao serem pronunciadas, naquele tom de 'adeus' foram avassaladoras, insuportáveis. Ela não tremeu, não quis chorar, não teve vontade de emitir som algum. Só queria se ver livre daquela presença, que prá ela, já tinha demorado tempo demais em sua vida. Seu olhar foi denunciante e ele entendeu de imediato. Ele se sentiu expulso, e seguiu adiante. Mais tarde, tentou, em vão, interromper o vazio seco daquele começo da manhã. Eles seguiram, caminhos desencontrados. Nenhum sabe do outro. O silêncio é angustiante prá ela, mas ela se mantém fiel ao distanciamento. Aquele sentimento de repúdio, misturado com uma profunda solidão, ela guarda muito bem no seu juízo, porque sabe que pode escapar fácil do coração. Ela não reclama, ela não pede mais, ela não espera, só quer desempacar. E esse homem, é ... esse homem nem imagina que nunca enxergou essa mulher.
domingo, 13 de junho de 2010
Ato de fé!
Como uma ferida aberta, o tempo é o grande auxiliador na cicatrização. Ela se encontrava assim, cicatrizando e convivendo com uma certa dor, mas conformando o corpo físico com os sentimentos e seguia. Mas aconteceu, na virada da noite, um telefonema. Cogitou, por segundos, em não atender, mas atendeu. A ferida abriu novamente. Por uma insistência quase de jogadora, caso não tivese feito, talvez nada tivesse acontecido, o 'vício' foi prolongado. Admitiu que foi bom, muito bom, assim como todas as surpresas que aconteceram na noite seguinte. O dia depois também foi bom, dedicado ao ócio, dedicado à doação.. mas as horas teimaram em passar e passaram e tudo se foi. Fácil dizer adeus, mas não é assim prá ela. Essa escolha tem sido um verdadeiro ato de fé! Ela leu de Franklin Maciel que "Todo amor começa com um ato de fé e só se mantém pelo que os olhos não veem". Tenta acreditar nisso. Até quando, até quando?
domingo, 16 de maio de 2010
O plano é simples: vamos em frente!
Ontem, em longa conversas com pessoas muito queridas, ouvi muita coisa. Muitas delas me deixaram certas que o ser humano, de modo muito estranho, por não haver uma lógica, parece ser dotado de força infinita. Claro, que a ambiguidade estava presente em muitas das falas, até porque o limite da vida está sendo testado há muito tempo em uma das minhas interlocutoras. Sem tentar diminuir ou subestimar as dores de outras naturezas, incluindo a minha, aquelas que não podem ser vistas, às vezes, nem mesmo verbalizadas, mas elas estão lá, saí ontem, depois de 8 horas e meia entre comidas deliciosas, volta ao ninho, carinho dos atendentes, embriaguez flutuante, caldinhos de peixe, choros discretos, palavras encorajadoras, fé e muita admiração, a certeza compartilhada na decisão de uma delas: "O segredo é: vamos em frente!" Muito simples, mas não há uma rota diferente. Seguir em frente e pronto!
P.S: Capa do disco " A arte de seguir em frente" da "Smoking Less", banda de punk rock melódico de Novo Hamburgo/RS que desapareceu inexplicavelmente do cenário nacional. - em: billiaddams.blogspot.com/.../smoking-less.html
50 Anos
Atrasada de novo. Quase uma semana depois, consigo dar um tempo para registrar a passagem do último dia 10 de maio, data em que Bono Vox, ou, simplesmente Paul, completou 50 anos de idade. Acompanho seu trabalho como líder do U2 há 16 anos e nesse tempo todo ele(s) continuam me impressioando com a simplicidade e riqueza de seus arranjos, com as letras, hoje mais mansas, com palavras de ordem e amor - pelo outro, por um ser específico, pelo mundo. Ok, algumas são piegas, mas nunca deixei de admirá-los. Quanto ao aniversariante, por ele ser um militante tão audacioso, por usar sua fama em prol de causas humanitárias, uma luta não muda, mas de poucos resultados, encaminho, em forma de pensamento, meu desejo de uma longa, criativa e prolongada vida! Nunca fui a um show da banda, ainda irei, isso é certo!
domingo, 9 de maio de 2010
Às mães
Para quem não tem...
Para quem tem e tá longe...
Para que tem e tá perto...
Para que é...
Para quem ama como...
Para quem quer ser...
A todas que exercem o papel
Um dia muito abençoado!!!
O que era prá ser, que quase não foi e acabou sendo...
Quando já tinha saido, sem esperança de que alguma coisa pudesse acontecer, eis que aconteceu! A cena foi interessante porque foi inusitada prá mim. Samba bom, boa companhia, vontade zerada, uma certa decepção, mas sem grandes preocupações, o caminho para saída, um certo vacilo, saída, uma feira com artesãos e seus objetos, andar só em um lugar que eu rejeito fortemente, táxi, a viagem para casa começa... telefone toca, um leve desentendimento, um pedido, uma respirada forte, o destino mudou... o táxi voltou ao mesmo ponto, eu voltei para o mesmo lugar... fila, uma alavanca de mão, portas se abriram, um longo e terno abraço com um obsceno beijo, exposição prolongada, os whikys prometidos, samba e alegria.
"- Casa?"
"- Sim, vamos logo!"
Essa história já está sem medidas... se mudar a mente o destino também mudará?
Crédito da foto: Lulu Artes (www.japiassu.com.br/luluartes/index.asp?mes=tudo)
Crédito da foto: Lulu Artes (www.japiassu.com.br/luluartes/index.asp?mes=tudo)
sábado, 8 de maio de 2010
Uma passadinha e um suposto encontro para o futuro
Não me permito pensar sobre determinadas coisas. Essa coisas proibidas, por enquanto, devem ser só sentidas. Não vou perder tempo em interpretá-las. Só porque não adianta e ja ter tentado muito...telefonemas, acertos, uma passada estendida para um bom papo, a intimidade perdida e que, surpreendentemente, parece como se nunca tivesse sido. "Tchau e você vai amanhã sim, tomaremos um whisky". Veremos! Daqui para amanhã, tem muita coisa que pode acontecer, não é mesmo?
P.S: Hoje marca 4 meses da relação às avessas, onde tudo começou pelo fim e agora.. como eu disse, não permito pensar
P.S: Hoje marca 4 meses da relação às avessas, onde tudo começou pelo fim e agora.. como eu disse, não permito pensar
segunda-feira, 3 de maio de 2010
A 101 ou eu esqueci que o Blog fez um ano
Atrasada... esqueci totalmente, envolvida em tantos 'entretantos', meu blog fez um ano de postagens. Foi no dia 21/4, um feriado, que tudo começou. Comecei a escrever porque tinha coisas demais acontecendo, não muito boas, nem tão ruins, mas que precisavam ser jorradas, sair de mim. E foi por aqui que as coisas começaram acontecer.
Um ano depois, não sei bem, alguns fatos mudaram, algumas pessoas sairam definitivamente da minha vida, como se nunca estivessem estado um dia comigo, outras entraram rapidinho, marcaram presença, me fizeram sonhar, me machucaram tanto... outras continuam comigo, fiéis como sempre. Saudades, lembranças, presentes, IR, encantamentos, aniversários e muitas coisas que nunca serão lidas por ninguém. Ah... três seguidores, um mais 'frequente', outro raro, mas conhecido e outro que nem faço ideia de sua identidade, pior que eu, nem sei porque segue, se é que segue. Aos três, obrigada! Esse blog existiria mesmo sem vocês! É isso! Continuarei por aqui, nem sempre me agradando com que escrevo, mas isso me serve como uma válvula de escape e tanto. Parabéns meu querido, mesmo que tão atrasada!!!
domingo, 2 de maio de 2010
Tô me preparando... ah essa é a postagem nº 100
O final de semana foi todo dedicado a coisa nenhuma. Não saí de casa, não arrumei as tarefas da semana, nem a cama, não quis pensar em nada que complicasse minha vida, tenho que fazer compras pra semana, mas a preguiça me consome. A comida vem a pedido, as conversas são virtuais, ainda bem que os telefones não tocam... é como se eu não existisse, um eu sublimada. E realmente não quero movimentos, não quero saber de notícias, boas ou ruins, pois de algum modo vão me afetar, e, pelo menos hoje, não quero ser afetada, nem por coisas boas, nem ruins. Elas vem de qualquer jeito. Só queria mesmo um pouco de descanso de más situações, e também do conta gotas de coisas boas. É o equilíbrio que estou buscando e estou me esforçando em todos os pontos. Mas não é fácil e por isso fico exausta e preciso do nada. Mas isso não é mau sinal. Pode ser uma preparação para o que quero que aconteça. E não quero repetições, nem situações grotescas onde sou um mera peça de distração, posições que me coloco porque não sei suportar 'solidão' e mais só fico. Tomara que também esteja me preparando para saber que estou preparada para quando tudo que quero chegar. E vai chegar porque eu realmente quero, quero além do meu desejo.
sábado, 1 de maio de 2010
Meio vazio, vazios e Vazio
[...] desde então, não há um só dia que meu pensamento não se fixe no que poderia ser, ou ter sido. por vezes, são momentos passageiros, outros são desejos de uma realidade, vez ou outra, surpresas pela ocorrência, mas é o mesmo de sempre; não há surpresas no que é dito, no que é feito. como um roteiro perfeito, não há improvisos. e aquilo que foi escrito é dito e feito. Isso é alucinantemente chato. como um mantra, peço que tudo se dissolva, que eu consiga me desvencilhar sem mais mágoas, bastando as que eu já tenho. visitas, aparelhos emprestados, interpretações de que isso possa significar algo e logo depois, ele, o vazio, da voz, da presença material, da ligação entre pessoas que se querem bem. mas esse vazio me faz mal e não é esse tipo de vazio que eu necessito. eu quero o vazio absoluto, do nada, por não existir mais nada, só ele, o vazio. para que, só assim, diante desse vazio, eu possa ter espaços para deixar entrar o que preciso e eu sei que faz algum tempo que eu já preciso.
Ilustração: Andréa Ferraz (deaferraz.blogspot.com)
segunda-feira, 19 de abril de 2010
E as coisas acontecem, passam
Disse tudo depois de aproveitar tudo. Foi tudo calmo, tranquilo e por mais que me irrite, o 'concodo com tudo, você tem razão' cumpriu a expectativa. Logo depois, a calmaria se instalou, o sono veio docemente com uma brisa apaziguando as discordâncias concordantes. O sol chegou, suprimido um item, confirmado os outros. Não será como eu quero, por enquanto. Não sei que futuro é esse a que tanto se reporta, mas quem sabe eu vá para um outro futuro. Quem sabe?
sábado, 17 de abril de 2010
Música, fotografia e poesia
Na última quinta, estive em um debate sobre o filme "O hotel de um milhão de dólares", drigido por Wim Wenders, roteiro de Bono Vox e Nicolas Klein. Comigo estava uma grande amiga e respeitosa intelectual. Tudo foi devidamente filmado e passará em breve na TV. Eu estarei lá, de novo, na TV. Personagem também do filme apreciado. Não contribui muito, estava aérea. A princípio, o rápido pensamento e falas da minha interlocutora me assustaram para, logo em seguida, me deixarem confortável no meu silêncio. Depois percebi que minha lesera era também devido a vacina H1N1 tomada no meio da manhã. Braço doído, pescoço massacrado, estado febril e um peso no corpo. Do filme, da minha ansiedade, das falas e múltiplas elocubrações restaram um conselho e uma garantia: assista ao filme de tempos em tempos na certeza de ouvir uma trilha sonora na medida, uma fotografia da 'velha' Los Angeles linda, poesias tocantes e "surpresas, muitas surpresas", a vida cheia delas.
Desistência
A chuva cai muito fortemente lá fora acompanhada por uma ventania ímpar. Tô em casa e como sempre, sem sono. As coisas que faço parecem que não estão rendendo, mas, realmente, isso não importa. Assim como não me importaram, e deveriam importar um tempinho de passado, as lindas gérberas deixadas em um portaria sem "portador", mas com destino. Um telefonema vazio e o desânimo que veio espontaneamente e calorosamente no coração. Dias passaram, a distância e o silêncio tão solidários e prudentes reinaram e um dia, não tão belo como poderia ser, com um discreto sorriso n'alma percebi que desisti, decidi desistir. Assim como a chuva que veio forte, intensa levando ou lavando ruas e calçadas na ótica do 10º andar, ela desistiu e parou. Por enquanto, parou. Não é nada pessoal, mas desisti e foi bom, tá sendo muito bom.
domingo, 11 de abril de 2010
Lentamente
As coisas estão acontecendo muito lentamente...
Mas ninguém pode me acusar que não tenho me esforçado.
Tenho deveras!
Há dias mais demorados em que travo batalhas, sem muito sucesso.
Mas há outros que tudo está razoavelmente em sintonia
Sem criaturas, não há obstáculos, só eu.
Tolerância, paciência, movimentos alternativos, música, muita música...
Sono ainda em débito, a fala ainda cítrica, mais tentativas
Sem desistências, sem trégua, muitos desvios e muitos caminhos.
Hoje passou, mais um dia passou.
Quem sabe, amanhã, o dia passe mais apressadamente por mim.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Pirenópolis, eu não vi, mas aqui sim
Fui à Pirenópolis, em Goiás. Bonito lugar, boa companhia, muita chuva, dormi demais, pensei demais, comida razoável, cachoeiras lindas e mais águas rolando levando outras coisas com elas... mas não me encontrei com duendes, fadas encantadas ou videntes. Isso aconteceu aqui, em pleno restaurante vegetariano, no meio da semana, no almoço. Uma tal vidente chegou, me olhou nos olhos, tocou minha mão e 'vomitou', em segundos, o meu futuro. Fiquei sem fôlego. Recuperei a sanidade, querendo acreditar em tudo que ela disse, e voltei para meu prato de comida saudável. Comi tudo, silenciosamente.
sábado, 27 de março de 2010
Em um pequeno instante
Estamos juntos em algum lugar
Perto de olhos estranhos
E nesse pequeno instante a dor não dói mais
É como se eu estivesse voltando ao "ninho"E desejo que a noite não termine
E que a luz do dia não apareçaEm um pequeno instante
Tudo se acaba para começar
Um outro pequeno instante outra vez.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Paciência e cuidado
Nevoeiro, mas a cada passo do tempo ganha-se uma distância disciplinadora. Mas não deixo de me esforçar na trilha desse momento novo prá mim. Às vezes o eu-ansioso é disparado, mas espeto-me de agulhadas da acupuntura e o equilíbrio é estabelecido até uma segunda ordem. Outras vezes, me engano e deixo palavras espalhadas sem uma direção. Falo demais. Erro de novo! Recuo, quietude, fuga, a procura de um refúgio, proteção! Mas na tocaia eu não vejo e sei que tenho que me erguer para ver de novo.
Ilustração: Marina Faria
terça-feira, 23 de março de 2010
Melhor para todos
Quero o melhor prá você. Quero que fique bem ou esteja bem. Divirta-se, faça exercícios, corra muito, nade, coma bem, conheça pessoas, permita-se, sorria, mate as saudades, confirme suas dúvidas, viaje, faça negócios, trabalhe, ame ... Também vou fazer minha parte. O melhor é isso! Um bem longe do outro, sem que ninguém tire nada de ninguém. Acho que neste ponto tomei uma decisão. O sentimento é meu e não permitirei ninguém usurpá-lo. O que posso prometer é manter-me distante, a cada dia, um passo, cada vez mais distante ... até sumir na imaginária linha do horizonte.
domingo, 21 de março de 2010
Há dias piores que outros
Hoje está assim ... bem pior que outros dias. É como se uma avalanche de desejos não cumpridos tivessem um encontro marcado em mim, agorinha mesmo. Assim, o corpo tá doendo, a alma padece, o coração tá apertado, um grito estancado vindo do peito à garganta, lágrimas saltam dos olhos e ações que foram feitas em rompante não provocaram um efeito que amenizasse um pouco esse dia torturante. Sei que vai passar, claro que vai, tem que passar, aliviar, pelo menos, um pouco. Enquanto isso ... foda-se! (11:38h)
Como se não bastasse a natureza do dia, resolvi contribuir para piorá-lo, ou melhor, desafiá-lo. Li em algum lugar, ou ouvi em um filme, que contra as adversidades deveremos ser piores que ela. Como prenúncio do mau agouro, dei uma estocada na minha lógica e subverti minha estrutura. Vou voltar estilhaçada, vou chorar muito, mas vou me empurrar até à beirada do buraco prá ver se seguro nela, ou me lanço de vez para o caos. Em poucas horas, saberei como isso irá terminar e como vou reagir. Ou não. (18:25h)
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Como era de se prever, consegui ser pior que a adversidade. O pior é que houve palavras e eu concordei. Houve além das palavras, "ameaças" veladas de um futuro não muito promissor prá mim. E ainda sim, concordei. Auto-engano, boicote, vou me machucar ainda mais. E ainda houve comparações... sem esperanças. Calei porque não deslumbrei outra manobra, tive medo do meu estopim. Mas foi infame, injusto e com cara de honesto. Mas isso foi a parte boa, aquela que decepciona, que mostra o quanto se pode ser cruel, com você e com o outro. É nisso que tenho que me segurar. Talvez tenha encontrado uma fenda. Fecha essa conta, por hoje basta. Amanhã sempre será um outro dia. Veremos como será! (23:22h)
Ha ha eu fui pro show do A-ha
É verdade sim, confesso, eu fui para o show do A-ha. Nada programado. Uma desistência, minha irmã enviou uma mensagem convite, eu aceitei, em em três dias, com os ingressos todos vendidos antecipadmaente, o meu veio às minhas mãos, sem esforço. Nada programada, expectativas baixas ...
...
Acabei de chegar o show! Nada demais. Um show honesto, higiênico, o frio medido, mas o mais impressionante é como a Noruega faz bem para pele. Os três estão ótimos! Mas o Morten Harket está impresinantemente bem! Eu era pequena e ele já tinha idade de ter clipe, fã clube e estourar com Take on Me (última música do show) ... Então ele tem quanto .. uns 50 e poucos! Noruega, salmão, radicais livres todos aprisionados, sei lá ... Mandaram bem, com direito a falar português com desenvoltura (Margen).
sexta-feira, 19 de março de 2010
19/3 - Dia de São José padroeiro do Ceará
Hoje choveu. não choveu o suficiente para ampliar esperanças de um bom inverno, mas choveu. Não basta chover prá tudo dar certo? Nos lados de cá é assim no dia 19/3, dia de São José! E precisamos dessa água para que a natureza tímida de nossa terra torne-se exuberante e dê vida ao verde, esperança de comida, de trabalho, de felicidade. Então, em uma quieta oração, peço à São José que nos conceda, se não for um bom inverno, pelo menos, um período de proporções suportáveis para todos! Amém!
Para a Moça da Cafeteria de Litlle Londres
Querida Moça,
A mesma distância que nos separa é que nos aproxima. No entanto, gostaria demais de um café forte e um pedaço generoso de um bolo de chocolate suculento e de brinde da casa, uma conversa bem prolongada. Para falar de bobagens, para falar de coisa séria, para 'vomitar' os infortúnios, para rir, dizer ironias, contar uma notícia que leu, a frase da semana (que Lúcio Brasileiro não saiba...), minha querida, só para abrandar a saudade! Agradeço o acolhimento. Sim, ele me fez chorar, mas foi muito bom, muito bom!
A mesma distância que nos separa é que nos aproxima. No entanto, gostaria demais de um café forte e um pedaço generoso de um bolo de chocolate suculento e de brinde da casa, uma conversa bem prolongada. Para falar de bobagens, para falar de coisa séria, para 'vomitar' os infortúnios, para rir, dizer ironias, contar uma notícia que leu, a frase da semana (que Lúcio Brasileiro não saiba...), minha querida, só para abrandar a saudade! Agradeço o acolhimento. Sim, ele me fez chorar, mas foi muito bom, muito bom! quarta-feira, 17 de março de 2010
O desapego da possibilidade
Você pensa que o movimento é só de entrada e saída?
Que não há um preço a ser pago depois de uma invasão de visigodos no centro da sala?
Que as as portas foram abertas porque é assim?
Que a cama foi compartilhada voluntoriosamente por nada ?
Que vidros de perfumes, escova de dentes, objetos pessoais foram redistribuídos sem motivo?
Não, meu amigo, as expectativas foram sonhadas, desenhadas e criadas.
Que apesar das não promessas, havia uma latente.
Isso foi abaixo em instantes, tão protamente como veio.
Mas você pensa que o movimento de desapego é rápido?
Não, não é.
E não, não muito obrigada, mas esse lugar, eu não quero prá mim.
Não desse jeito... já tive mais que isso... quero mais que isso!
Que não há um preço a ser pago depois de uma invasão de visigodos no centro da sala?
Que as as portas foram abertas porque é assim?
Que a cama foi compartilhada voluntoriosamente por nada ?
Que vidros de perfumes, escova de dentes, objetos pessoais foram redistribuídos sem motivo?
Não, meu amigo, as expectativas foram sonhadas, desenhadas e criadas.
Que apesar das não promessas, havia uma latente.
Isso foi abaixo em instantes, tão protamente como veio.
Mas você pensa que o movimento de desapego é rápido?
Não, não é.
E não, não muito obrigada, mas esse lugar, eu não quero prá mim.
Não desse jeito... já tive mais que isso... quero mais que isso!
segunda-feira, 15 de março de 2010
Sobras de um ruminante domingo
Resquícios e vazios
Sentimentos dissociados
Quereres divergentes
Necessidades urgentes
Embriaguez...
Distanciamento conhecido
Ruptura, fragilidade
À espera pelo o que?
Por enquanto..
Resquícios e vazios
Sentimentos dissociados
Quereres divergentes
Necessidades urgentes
Embriaguez...
Distanciamento conhecido
Ruptura, fragilidade
À espera pelo o que?
Por enquanto..
Resquícios e vazios
domingo, 14 de março de 2010
"O caminho que não tomei"
"Suspirando, estarei contando a ti,
Daqui a mil anos, o que aconteceu:
dois caminhos bifurcavam, e eu -
O menos pisado tomei como meu
E a diferença está toda aí"
Tradução de Antônio Simões para o poema "The road not taken" do americano Robert Frost
Mais uma vez tomei ou tornei a estrada mais difícil. Sim, tem feito a diferença e tenho pago alto. Se houver uma próxima vez, tomarei outro caminho. Quem sabe, doa menos...
Do elemento surpresa
Semanas passaram, interropidas por mensagens virtuais funcionais, brigas comigo, contra a minha vontade de me estender numa cama e olhar para o teto e sua brancura, pequenos boicotes de praxe, esforçando-me ao máximo, mas perceptível a todos que as coisas não iam tão bem, mas mal também não estavam. Todos os dias dessas semanas, fiz uma lista de atividades que obrigatoriamente deveria cumpri-la e a segui religosamente como uma maneira de não fugir da realidade. Sim... esses dias foram entrecortados de conversas sobre você, inclusive ontem. De repente, o telefone soou às 22:32, muito preciso. Era você! O coração não foi aos saltos, mas temi o que ouviria. Você tá melhor que eu e apesar da desvantagem, achei bom. Você disse coisas lindas e me obrigou a ouví-las e aceitá-las. Não acredito tanto, porque se algo fosse tão bom assim, porque "largá-lo"? Não era por aí que queria que a conversa fosse, e aceitei todos os elogios que julgou que eu merecesse. Uma enxurrada de palavras emocionadas e algumas graças chegamos a um ponto onde o elemento surpresa apareceu. Ele foi bom... mas dói em saber o quanto ele pode ter sido efêmero. Não quero pensar sobre isso, mas sou obsessiva e isso não me sai da cabeça. Mais tempo, mais esforço... nada sei daqui prá frente, mas prometi prá mim que vou continuar aberta, nada de bloqueios... saturno na casa 1 já é peso demais!!!
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Fotos: PM
dimensões: 13 x 10 cmmateriais: madeira de carvalho, caroço de pera abacate e mola metálica envernizados
quarta-feira, 10 de março de 2010
Nas raras tardes de sono...
Ia junto, conversando com um colega de trabalho amenidades em um dos corredores da faculdade. Em um instante o corredor havia se transformado em um largo passeio sobre o mar onde do lado direito tinha uma barra de proteção e do outro apenas uma murada. Levava comigo, além da bolsa, livros e um mini caixote. De repente aparece uma onda enorme ... Ainda escuto a voz do colega pedindo minha atenção, mas era tarde demais, como uma mão grande de água, ela me tirou do chão e me levou para dentro do mar. Em segundos, molhada, ainda segurava os livros eo caixote, mas não conseguia abrir os olhos para saber tão longe, ou tão perto estava da murada, nem o que estava por vir. O coração disparou, eu dei um salto e interrompi atordoada desses sonhos que só ocorrem em raras tardes de sono.
terça-feira, 9 de março de 2010
Desconectada
É meio estranho esse status ...
Não sinto nada: saudade, frustração, arrependimento, mágoa, raiva ... Nada
Também não tenho nenhum pensamento produtivo
Apesar do corpo estar em movimento constante, não deixo parar.
O olhar é de "além do horizonte", nem triste, nem alegre
Sem vazios, mas muito a ser preenchido
Duas ou três palavras articuladas, eis minha contribuição "fundamental"
Animação quase neurótica na presença do público
Porque sei da finitude do 'espetáculo' particular
É um estado de meditação inverso, buscas sem sentido
Vivendo, vivendo, respirando, respirando
Hoje estou desconectada.Não me interessa o que passa ao redor do mundo, ao meu redor.
Simplesmente, não me interessa e não me angustia estar assim.
Amanhã ou daqui a pouco, isso pode mudar ...
Enquanto não acontece, hoje não vou à Antônia ...
Vou fazer nada, pensar em nada e quem sabe, dormir!
segunda-feira, 8 de março de 2010
domingo, 7 de março de 2010
Vazio, a presença da falta
Acordei
Li jornal
Ingeri comprimidos
Com suco de uvaTomei chá
Fazia muito calor
Sai para almoçar
Fiz Extravagancias
Comprei sapatosNão havia necessidade
Visitei amiga querida
Conheci sua morada
Brinquei com sua filhota
Senti saudades
Fiz compras para semana
Voltei pra casa
Arrumei tudo
Preparei as refeições para a semana
Mais chá
O dia termina
Mas o vazio continua ...
sábado, 6 de março de 2010
As mil aventuras depois da palavra lançada
Amanheci com uma suposta ingrata tarefa de cumprir uma 'social' onde trabalho. Uma palestra em que o tema parecia ser o mesmo do sempre. Ainda bem que fui porque o elemento surpresa estava lá. Fui agraciada com palavras de um homem muito inteligente, bem humorado e inspirador. Cheguei em casa e procurei por um dos seus livros que eu tinha certeza que tinha, mas depois de tantos 'o que é meu o que é teu' na minha vida, acho que ele se foi numa dessas. Agora estou aqui em volta de livros como "O Demônio do Meio Dia" de Andrew Solomon e " Felicidade" de Eduardo Gianetti. Eu fugi deles durante anos. Não sei ainda o motivo, mas vou prontamente e de maneira disiciplinar iniciar a leitura. Estou em um vazio de significados e como o ser humano é uma máquina de produzir significados devo construir minha ferramenta conceitual para produzí-los... achei lindo!!!
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Depois de doze anos que sai de casa, por preguiça, saco e minha arrogância burguesa de classe média, nunca aprendi a cozinhar. Mas desde o início do meu ano zero, me propus a estar aberta a uma série de aventuras. Uma delas me provocou a dor da saudade que estava hiberando, mas o período de 'folga' acabou; outra me despertou uma consciência corporal que me levou a cuidar de mim, do que como - a gente é aquilo que come, não é? - e esta, por sua vez, me levou a uma experiência prática a de... cozinhar. Ainda engatinhando, mas estou lavando peixe, cortando cebola e alho, temperando, entendendo o tempo de espera de cada alimento e aprendendo o prazer de comer o fruto do meu esforço. São pequenas tarefas cotidianas que aos poucos estou percebendo que são demarcadoras de um momento de vida.sexta-feira, 5 de março de 2010
Roubei lá do Café das Ilusões
Dei uma passadinha lá no café e não consegui resistir e 'roubei' o novo brinquedinho de lá para colocar aqui porque... ora porque? Porque é belo, é bom, é universal!
Baseado na obra de Victor Hugo:
Gangorra
Brincar de gangorra sempre foi uma coisa que me provocava um certo medo.
Quando estava em cima, tinha a falsa sensação de liberdade, ver amplamente tudo e, de repente, me dava conta que estava lá porque alguém lá embaixo me segurava e depois de algum tempo, aquilo me incomodava.
Quando estava em baixo, a sensação era de poder, mas ao mesmo tempo me angustiava que a vida de quem estava em cima dependia do meu querer.
Quando estava na transição, essas sensações sumiam e competíamos, eu eo outro...
8 ou 80? Tudo ou nada? Por que? Por que? Por que?
quinta-feira, 4 de março de 2010
Prestãção de contas
Não conversamos, só foi uma troca de emails.
- Você vai querer o miroondas? Então deposita nesta conta o valor dele ou deixa na portaria. Ficou um faqueiro e um DVD do U2?
- Fico sim com o microonda. Ah... o faqueiro? Ficou sim, mas o DVD, como eu tinha um igual, não precisaríamos ter dois em casa, lembra? Mas deixo tudo na portaria.
Essa prestação de contas de coisas tangíveis foi só o que restou? E o que eu tenho ainda para devolver retidas em mim como tatuagem, entrego onde e a quem?
Não conversamos, só foi uma troca de emails.
- Você vai querer o miroondas? Então deposita nesta conta o valor dele ou deixa na portaria. Ficou um faqueiro e um DVD do U2?
- Fico sim com o microonda. Ah... o faqueiro? Ficou sim, mas o DVD, como eu tinha um igual, não precisaríamos ter dois em casa, lembra? Mas deixo tudo na portaria.
Essa prestação de contas de coisas tangíveis foi só o que restou? E o que eu tenho ainda para devolver retidas em mim como tatuagem, entrego onde e a quem?
quarta-feira, 3 de março de 2010
Coisinhas de hoje
À Ruben Bauer
Ele não sabe o quanto significou aquele presente. Não era só o presente celebrando o nosso encontro nessa vida, celebrando seu breve 'adeus, até mais', mas o que eu vi por meio dele. Estava eu lá, o meu atual momento estava lá, em um quadro premonitoriamente pintado.
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- Talvez ele tenha se sentido mais um fardo que uma alegria em sua vida...
- É... é uma das qualidades dele, é a generosidade! Com certeza! Será?
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Roland Barthes disse que "[...] a origem de uma fala não a esgota; uma vez que uma fala se tenha lançada, mil aventuras lhe acontecem...".
Ela foi lançada e tenho vivido aos solapos das aventuras, mas não fugirei de nenhuma delas e provocarei outras...
terça-feira, 2 de março de 2010
Desencantamento
As coisas poderiam ser um pouco mais fáceis?
As pessoas certas poderiam se encontrar em momentos certos de suas vidas.
A criança tinha que nascer com saúde e viver assim.
O amor tinha que unir e não ser desfacelado.
Para boas idéias, as boas oportunidades
O trabalho penoso, o prazer da realização e da admiração.
A boa alimentação, a cura.
O sono poderia ser restaurador do dia, não o seu penar.
Sono jamais deveria virar um pesadelo (isso deveria ser proibido!)
O dia deveria ser lindo ou com sol, ou ou com a chuva.
Chuvas nunca destruiriam, nem o sol expulsaria pessoas de suas moradas
Os amigos deveriam estar sempre na rede de proteção.
Mas não é bem assim... ao que parece a vida é feita de soluços de vida
Às vezes com interrvalos de tempo em suspensão.
Nesses momentos um suspiro faz lembrar que ainda falta um tempo...
Para reaprender e voltar a se encantar novamente.
segunda-feira, 1 de março de 2010
sábado, 27 de fevereiro de 2010
O mais rápido
Um caso de amor deveria durar tempo suficiente para amar...
Mas antes que o amor chegasse, o caso mais rápido que já vivenciei, morreu!
2 meses apenas, eu acreditei que seria meu porto seguro, juro que acreditei
Mas as coisas nem sempre acontecem como desejamos...
"Fique junto dos teus, boa sorte, adeus!"
Mas antes que o amor chegasse, o caso mais rápido que já vivenciei, morreu!
2 meses apenas, eu acreditei que seria meu porto seguro, juro que acreditei
Mas as coisas nem sempre acontecem como desejamos...
"Fique junto dos teus, boa sorte, adeus!"
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
13 anos
E assim se foram 13 anos. Tanta coisa aconteceu, mas o resumo, acredite, não é tão bom! Acertei em algumas coisas, mas errei um bocado. Deveríamos ter tido mais tempo ou termos passado mais tempo juntas, mas nada foi assim e o tempo passou. Aqui, ficamos meio largados, meio sem saber quem é quem, perdidos, sem lar. E fugi sempre, sempre para me abster de lembrar. Meu plano não deu certo. O que eu poderia ter feito diferente nesse tempo todo? O que eu deveria ter falado, ou não ter? Os 'não' que eu deveria ter dado e os 'sim' que eu não deveria. Precisei da receita certa, do chá certo, da mão na minha cabeça, do simples colo, mas não havia mais, não tenho mais e nunca mais terei. Você não me conheceu direito, não foi? A aridez me apavora, a solidão acompanhada é assustadora, você conheceu isso? Minha impresão é que sim. E perderam seu número de telefone e seu endereço, sabia? Nos últimos tempos, tenho precisado das suas sempre duras e certas palavras acompanhadas da mão desalinhando meu cabelo, me pondo na cama, poucas horas antes que o sono apaziguador viesse. Hoje ele não vem mais. Hoje não sei o que fazer direito. Sigo adiante, fazendo coisas, rindo de momentos, mas nada melhorou, nada. Nem antes, nem depois. Vazio, medo, angústia, dor, orfandade e saudade!
As coisas acontecendo à revelia...não era isso
As coisas acontecem e já é uma hora da manhã de um outro dia. Enquanto isso você dorme, do outro lado, tão só quanto eu. Totalmente à revelia, ainda não dormi, lágrimas que escapam na face, cabeça cheia de dúvidas, com caminhos só de idas, caminhos de trilhas diferentes mas, ao que parece, vão me levar ao mesmo ponto. À revelia, eu espero nem eu mesma sei o que desse futuro nem sempre tão incógnito. Não tenho fotos bonitas de uma família para mostrar, um não pertencimento, um vazio por todos os lados, um infinito desconhecido que me fazem sentir deslocada. Ponto de inflexão... por que espero? ou por quem? O quanto terei que ouvir, ou deixar de sentir, ou sentir silenciosamente? Silêncio pesado, doído e tô tão cansada... não era isso, definitivamente não era isso, ficar só, à revelia, não era isso que eu havia pensado.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Um domingo de carnaval cinzento
E assim foi o domingo de um carnaval sem muitas surpresas. E tudo poderia ter sido diferente. Amanheceu diferente. Sem sol pela manhã numa cidade tão cheia de luz, a solidão como companhia, cabeça atiçada para assim não ficar. Um telefonema e sim, companhias que me fariam bem e fizeram. Mas como sempre, por breves instantes, tudo pode ser mudado. E mudou!
Algumas combinações de palavras
O bastante para livres interpretações
O suficiente para acordar mágoas
E provocar decepção
Despertar dor
E reconhecer que o meu melhor lugar não era ali
E a melhor companhia é o meu silêncio
Que ainda ainda não consegui domá-lo.
Algumas combinações de palavras
O bastante para livres interpretações
O suficiente para acordar mágoas
E provocar decepção
Despertar dor
E reconhecer que o meu melhor lugar não era ali
E a melhor companhia é o meu silêncio
Que ainda ainda não consegui domá-lo.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Semi-árido
Ainda é possível florar.
E por incrível que pareça, exatamente hoje é dia de florescer.
Mas, nas combinações insanas da vidas
Hoje, exatamente hoje, florescer é impossível.
domingo, 10 de janeiro de 2010
Será, hein?
Faz muito tempo que não apareço aqui E depois de 10 dias do novo ano, chega uma primeira postagem. Muitos fatos ocorreram e foram eles os responsáveis por esse necessário afastamento. Neste curto longo período minha vida passou por uma mudança, pra melhor, é o que agora penso. Sei que ocorrerão outras porque decidi e por uma simples questão de agenda, mudanças instalarão na casa, na vida, nos horários, no trabalho, nos hábitos, em tudo. Terei que pensar melhor, falar com mais cautela, ouvir mais e entrar em consensos. Parece pouco, mas é muito, ou melhor, bastante para quem só seguia. Nada claro, mas os caminhos estão ficando diferentes!
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