A sensação de tempo se esvaindo entre os dedos continua. A familiaridade dessa sensação é que a irrita mortalmente. Estancada e agora, finalmente, desmascarada, ela sabe que precisa de movimento, de energia, mas não há pistas de como, nem por onde começar. Aos poucos, ela assiste, em luto, as poucas pessoas queridas partirem de sua vida. Sem rancores, sem invejas, sem tristezas, sem alegrias... o tempo segue sua trajetória, ela sabe, todos sabem. Mas a mercê do tempo, se deixa levar.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
sábado, 25 de dezembro de 2010
Processo finalizado, por enquanto
Passou um tempo, tempo letárgico, tempo necessário, seu tempo. As coisas poderiam ocorrer em outro tempo, até acontecem, não na maneira desejada. Mas esses dias têm sido de boa colheita, as sementes não foram as melhores, mas o terreno, as mãos que cuidaram, as águas foram generosas. As pessoas passaram, os conflitos resolvidos, uma certa tranquilidade volta a conviver pacificamente com os seus dias. Dias de bonança, de bom agouro! Momento de aproveitar, porque não se sabe o que está à espreita. Mas uma frase não lhe sai da cabeça, neste instante: "When the soul wants… the soul waits …". Ela esperou, esperou o seu tempo.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Processo de enraizar - parte 3
Há processo mais rápidos, outros demorados demais, esse... não dá prá precisar o tempo cronológico. Tem momentos onde tudo some, não há nada a dizer, a sentir, a lamentar, nada! Um leve vazio invasor no peito que a faz entrar em um estado de sonolência, de torpor, quase uma embriaguez. Outro momento de puro êxtase que a faz lembrar que é possível imaginar sua vida de uma outra maneira. No entanto, ao largo das oscilações, a certeza que a postura precisa ser outra, que ela precisa ir a outro lugar, conhecer outras pessoas, outros modos de vida, esquecer de procurar auto-afirmação porque esse tempo já deveria ter passado, isso a faz sentir tão, mas tão cansada... arrancar raiz é um trabalho muito árduo, com poucas tréguas emocionais, mas ela deve cruzar a fronteira, só não sabe como, e o pior, quando.
sábado, 4 de setembro de 2010
Processo de enraizar - parte 2
Para enraizar é preciso terreno limpo. As raízes velhas ou estragadas, as reais tangíveis e as reais que fazem doer ou mesmo aquelas que não doem mais têm que ser arancadas. Bem no final da noite de ontem, o toque de sempre, mobilizador. Ela recebeu prontamente junto aos seus. Ela ouviu, ouviu, brincou, dançou, prestou atenção nas reações, sentiu o acolhimento, a procura e até mesmo uma doce reclamação da não procura, tudo foi bem recebido. Mas hoje, no final da manhã, uma frase sinalizou que aquela raiz dever ser arrancada: um plano de futuro, uma meta consciente e buscada não a incluía. Isso explicou muito sobre atitudes longamente acompanhadas... a raiz começou a ser arrancada pois a chave de casa, dessa fez, ficou. Ela não lamentou. O tempo entre eles passa corrido demais, prá muita a coisa a ser feita. E o tempo entre eles demora muito a chegar prá voltarem ao processo, não de enraizar, mas o de desenraizar... o terreno precisar ser limpo.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Processo de enraizar - parte 1
Olhou para os lados e sentiu que algo estava diferente. Não sabe ao certo, mas está. Ainda no mesmo lugar, as feições familiares, os lugares de sempre, mas tudo confuso. Em processo há anos, tentando se enraizar na própria terra, entre os seus, na própria casa. O melhor a fazer, nesse instante, é arrancar as raízes que não lhe servem, bem que ela não sabe ao certo o que lhe faz mal, nem o que lhe faz bem. São faces da mesma moeda. Por enquanto, papéis são rasgados, doa-se livros, geladeira, fita de vídeos, computador, impressora, mesa, roupas, sapatos, presenteia e se presenteia, sai só, encontra-se com pessoas possíveis, vai encarar um fantasma pendente e uma pequena viagem, com uma estalagem, comida e carinho. Até aí, ela acha que dá conta. Depois, ela vai ver o que fará.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Eu vou... destino: Brisbane
Cerca de 2 anos atrás em busca de uma linha de trabalho para doutorado, uma amiga se deparou com um tema muito 'criativo'. Embarcou nessa e me chamou para viajar no tema. Isso foi tomando forma... outras pessoas apareceram, ideias foram sendo somadas, um projeto foi elaborado e enviado para um órgão de fomento, outras tantas pessoas foram sendo acionadas. Nos intervalos, eu ficava meio cética de que as coisas podiam caminhar, afinal de contas, a proposta era conhecer a experiência lá do outro lado do mundo. O tempo foi passando. O projeto foi aprovado, as pessoas mais confiantes monitoraram sabiamente e tudo correu bem. Claro que durante o percurso, não acreditávamos que ia dar tão certo, mas o esforço foi feito e admito, sou quase uma benficiada nessa história toda porque pouco fiz. Mas com a generosidade dos amigos que me enxergam com lentes desfocadas, cá me encontro. Exatamente há um ano atrás eu estava no México. Fazia um tempo que não viajava prá tão longe. Mas as coisas sempre acontecem, insito nisso. E hoje, daqui a exatamente 5 horas, estarei embarcando para Brisbane, capital de Queensland, Austrália. Vou prá muito, muito longe. Vou contra rotação da terra. Vou para o 'futuro', claro que com data e hora certas para a volta ao passado... mas vou e quem sabe, eu volto de novo prá lá.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Um pro lado, outro para outro
Eles viajam quase no mesmo dia. O mais intrigante é que 7 meses atrás, iriam juntos. Mas as coisas aconteceram de maneira diferente do planejado e eles viajarão, mas cada um para um destino, com propósitos distintos, tempos de permanência diferentes. Essas viagens podem mudar a vida de cada um, como também tudo permanecer como conhecido. Ao que parece, muita coisa vai acontecer. Ela receia o passado e seu poder de resgaste. Ela receia também que as coisas pulsem de tal maneira que o movimento seu será de migração. Ela deseja uma coisa e quer outra. Dele, pouco sabe. Só suas palavras, que ela, no fundo, desconfia de que não sejam cumpridas porque sabe que a força do tempo, o poder do sentimento e da fantasia são fortes. De qualquer maneira, a chave da casa ficou, de qualquer maneira, haverá sim o retorno dos dois, não para o mesmo ponto, mas para aquele lugar. Inevitavelmente ela saberá do que ocorreu nesses dias que ela foi para o lado de lá e ele, para o lado de cá.
P.S: Desencontro, Raposo de França, 1982
P.S: Desencontro, Raposo de França, 1982
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