sábado, 27 de março de 2010

Em um pequeno instante

Em um pequeno instante tudo muda...
Estamos juntos em algum lugar
Perto de olhos estranhos
E nesse pequeno instante a dor não dói mais
É como se eu estivesse voltando ao "ninho"
E desejo que a noite não termine
E que a luz do dia não apareça
Em um pequeno instante
Tudo se acaba para começar
Um outro pequeno instante outra vez.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Paciência e cuidado


Nevoeiro, mas a cada passo do tempo ganha-se uma distância disciplinadora. Mas não deixo de me esforçar na  trilha desse momento novo prá mim. Às vezes o eu-ansioso é disparado, mas espeto-me de agulhadas da acupuntura e o equilíbrio é estabelecido até uma segunda ordem. Outras vezes, me engano e deixo palavras espalhadas sem uma direção. Falo demais. Erro de novo! Recuo, quietude, fuga, a procura de um refúgio, proteção! Mas na tocaia eu não vejo e sei que tenho que me erguer para ver de novo.

Ilustração: Marina Faria

terça-feira, 23 de março de 2010

Melhor para todos

Quero o melhor prá você. Quero que fique bem ou esteja bem. Divirta-se, faça exercícios, corra muito, nade, coma bem, conheça pessoas, permita-se, sorria, mate as saudades, confirme suas dúvidas, viaje, faça negócios, trabalhe, ame ... Também vou fazer minha parte. O melhor é isso! Um bem longe do outro, sem que ninguém tire nada de ninguém. Acho que neste ponto tomei uma decisão. O sentimento é meu e não permitirei ninguém usurpá-lo. O que posso prometer é manter-me distante, a cada dia, um passo, cada vez mais distante ... até sumir na imaginária linha do horizonte.

domingo, 21 de março de 2010

Há dias piores que outros

Hoje está assim ... bem pior que outros dias. É como se uma avalanche de desejos não cumpridos tivessem um encontro marcado em mim, agorinha mesmo. Assim, o corpo tá doendo, a alma padece, o coração tá apertado, um grito estancado vindo do peito à garganta, lágrimas saltam dos olhos e ações que foram feitas em rompante  não provocaram um efeito que amenizasse um pouco esse dia torturante. Sei que vai passar, claro que vai, tem que passar, aliviar, pelo menos, um pouco. Enquanto isso ... foda-se! (11:38h)
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Como se não bastasse a natureza do dia, resolvi contribuir para piorá-lo, ou melhor, desafiá-lo. Li em  algum lugar, ou ouvi em um filme, que contra as adversidades deveremos ser piores que ela. Como prenúncio do mau agouro, dei uma estocada na minha lógica e subverti minha estrutura. Vou voltar estilhaçada, vou chorar muito, mas vou me empurrar até à beirada do buraco prá ver se seguro nela, ou me lanço de vez para o caos. Em poucas horas, saberei como isso irá terminar e como vou reagir. Ou não. (18:25h)
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Como era de se prever, consegui ser pior que a adversidade. O pior é que houve palavras e eu concordei. Houve além das palavras, "ameaças" veladas de um futuro não muito promissor prá mim. E ainda sim, concordei. Auto-engano, boicote, vou me machucar ainda mais. E ainda houve comparações... sem esperanças. Calei porque não deslumbrei outra manobra, tive medo do meu estopim. Mas foi infame, injusto e com cara de honesto. Mas isso foi a parte boa, aquela que decepciona, que mostra o quanto se pode ser cruel, com você e com o outro. É nisso que tenho que me segurar. Talvez tenha encontrado uma fenda. Fecha essa conta, por hoje basta. Amanhã sempre será um outro dia. Veremos como será! (23:22h)

Ha ha eu fui pro show do A-ha

É verdade sim, confesso, eu fui para o show do A-ha. Nada programado. Uma desistência, minha irmã enviou uma mensagem convite, eu aceitei, em em três dias, com os ingressos todos vendidos antecipadmaente, o meu veio às minhas mãos, sem esforço. Nada programada, expectativas baixas ...
...
Acabei de chegar o show! Nada demais. Um show honesto, higiênico, o frio medido, mas o mais impressionante é como a Noruega faz bem para pele. Os três estão ótimos! Mas o Morten Harket está impresinantemente bem! Eu era pequena e ele já tinha idade de ter clipe, fã clube e estourar com Take on Me (última música do show) ... Então ele tem quanto .. uns 50 e poucos! Noruega, salmão, radicais livres todos aprisionados, sei lá ... Mandaram bem, com direito a falar português com desenvoltura (Margen).

sexta-feira, 19 de março de 2010

19/3 - Dia de São José padroeiro do Ceará

Hoje choveu. não choveu o suficiente para ampliar esperanças de um bom inverno, mas choveu. Não basta chover prá tudo dar certo? Nos lados de cá é assim no dia 19/3, dia de São José! E precisamos dessa água para que a natureza tímida de nossa terra torne-se exuberante e dê vida ao verde, esperança de comida, de trabalho, de felicidade. Então, em uma quieta oração, peço à São José que nos conceda, se não for um bom inverno, pelo menos, um período de proporções suportáveis para todos! Amém!  

Para a Moça da Cafeteria de Litlle Londres

Querida Moça,
A mesma distância que nos separa é que nos aproxima. No entanto, gostaria demais de um café forte e um pedaço generoso de um bolo de chocolate suculento e de brinde da casa, uma conversa bem prolongada. Para falar de bobagens, para falar de coisa séria, para 'vomitar' os infortúnios, para rir, dizer ironias, contar uma notícia que leu, a frase da semana (que Lúcio Brasileiro não saiba...), minha querida, só para abrandar a saudade! Agradeço o acolhimento. Sim, ele me fez chorar, mas foi muito bom, muito bom!

quarta-feira, 17 de março de 2010

O desapego da possibilidade

Você pensa que o movimento é só de entrada e saída?
Que não há um preço a ser pago depois de uma invasão de visigodos no centro da sala?
Que as as portas foram abertas porque é assim?
Que a cama foi compartilhada voluntoriosamente por nada ?
Que vidros de perfumes, escova de dentes, objetos pessoais foram redistribuídos sem motivo?
Não, meu amigo, as expectativas foram sonhadas, desenhadas e criadas.
Que apesar das não promessas, havia uma latente.
Isso foi abaixo em instantes, tão protamente como veio.
Mas você pensa que o movimento de desapego é rápido?
Não, não é.
E não, não muito obrigada, mas esse lugar, eu não quero prá mim.
Não desse jeito... já tive mais que isso... quero mais que isso!

segunda-feira, 15 de março de 2010

Sobras de um ruminante domingo

Resquícios e vazios
Sentimentos dissociados
Quereres divergentes
Necessidades urgentes
Embriaguez...
Distanciamento conhecido
Ruptura, fragilidade
À espera pelo o que?
Por enquanto..
Resquícios e vazios

domingo, 14 de março de 2010

"O caminho que não tomei"


"Suspirando, estarei contando a ti,
Daqui a mil anos, o que aconteceu:
dois caminhos bifurcavam, e eu -
O menos pisado tomei como meu
E a diferença está toda aí"


Tradução de Antônio Simões para o poema "The road not taken" do americano Robert Frost

Mais uma vez tomei ou tornei a estrada mais difícil. Sim, tem feito a diferença e tenho pago alto. Se houver uma próxima vez, tomarei outro caminho. Quem sabe, doa menos...

Do elemento surpresa

Semanas passaram, interropidas por mensagens virtuais funcionais, brigas comigo, contra a minha vontade de me estender numa cama e olhar para o teto e sua brancura, pequenos boicotes de praxe, esforçando-me ao máximo, mas perceptível a todos que as coisas não iam tão bem, mas mal também não estavam. Todos os dias dessas semanas, fiz uma lista de atividades que obrigatoriamente deveria cumpri-la e a segui religosamente como uma maneira de não fugir da realidade. Sim... esses dias foram entrecortados de conversas sobre você, inclusive ontem. De repente, o telefone soou às 22:32, muito preciso. Era você! O coração não foi aos saltos, mas temi o que ouviria. Você tá melhor que eu e apesar da desvantagem, achei bom. Você disse coisas lindas e me obrigou a ouví-las e aceitá-las. Não acredito tanto, porque se algo fosse tão bom assim, porque "largá-lo"? Não era por aí que queria que a conversa fosse, e aceitei todos os elogios que julgou que eu merecesse. Uma enxurrada de palavras emocionadas e algumas graças chegamos a um ponto onde o elemento surpresa apareceu. Ele foi bom... mas dói em saber o quanto ele pode ter sido efêmero. Não quero pensar sobre isso, mas sou obsessiva e isso não me sai da cabeça. Mais tempo, mais esforço... nada sei daqui prá frente, mas prometi prá mim que vou continuar aberta, nada de bloqueios... saturno na casa 1 já é peso demais!!!
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Fotos: PM
dimensões: 13 x 10 cm
materiais: madeira de carvalho, caroço de pera abacate e mola metálica envernizados

quarta-feira, 10 de março de 2010

Nas raras tardes de sono...

Ia junto, conversando com um colega de trabalho amenidades em um dos corredores da faculdade. Em um instante o corredor havia se transformado em um largo passeio sobre o mar onde do lado direito tinha uma barra de proteção e do outro apenas uma murada. Levava comigo, além da bolsa, livros e um mini caixote. De repente aparece uma onda enorme ... Ainda escuto a voz do colega pedindo minha atenção, mas era tarde demais, como uma mão grande de água, ela me tirou do chão e me levou para dentro do mar. Em segundos, molhada, ainda segurava os livros eo caixote, mas não conseguia abrir os olhos para saber tão longe, ou tão perto estava da murada, nem o que estava por vir. O coração disparou, eu dei um salto e interrompi atordoada desses sonhos que só ocorrem em raras tardes de sono.

terça-feira, 9 de março de 2010

Desconectada

É meio estranho esse status ...
Não sinto nada: saudade, frustração, arrependimento, mágoa, raiva ... Nada
Também não tenho nenhum pensamento produtivo
Apesar do corpo estar em movimento constante, não deixo parar.
O olhar é de "além do horizonte", nem triste, nem alegre
Sem vazios, mas muito a ser preenchido
Duas ou três palavras articuladas, eis minha contribuição "fundamental"
Animação quase neurótica na presença do público
Porque sei da finitude do 'espetáculo' particular
É um estado de meditação inverso, buscas sem sentido
Vivendo, vivendo, respirando, respirando
Hoje estou desconectada.
Não me interessa o que passa ao redor do mundo, ao meu redor.
Simplesmente, não me interessa e não me angustia estar assim.
Amanhã ou daqui a pouco, isso pode mudar ...
Enquanto não acontece, hoje não vou à Antônia ...
Vou fazer nada, pensar em nada e quem sabe, dormir!

segunda-feira, 8 de março de 2010

domingo, 7 de março de 2010

Vazio, a presença da falta

Acordei
Li jornal
Ingeri comprimidos
Com suco de uva
Tomei chá
Tomei uma ducha
Fazia muito calor
Sai para almoçar
Fiz Extravagancias
Comprei sapatos
Não havia necessidade
Visitei amiga querida
Conheci sua morada
Brinquei com sua filhota
Senti saudades
Fiz compras para semana
Voltei pra casa
Arrumei tudo
Preparei as refeições para a semana
Mais chá
O dia termina
Mas o vazio continua ...

sábado, 6 de março de 2010

As mil aventuras depois da palavra lançada

Amanheci com uma suposta ingrata tarefa de cumprir uma 'social' onde trabalho. Uma palestra em que o tema parecia ser o mesmo do sempre. Ainda bem que fui porque o elemento surpresa estava lá. Fui agraciada com palavras de um homem muito inteligente, bem humorado e inspirador. Cheguei em casa e procurei por um dos seus livros que eu tinha certeza que tinha, mas depois de tantos 'o que é meu o que é teu' na minha vida, acho que ele se foi numa dessas.  Agora estou aqui em volta de livros como "O Demônio do Meio Dia" de Andrew Solomon e " Felicidade" de Eduardo Gianetti. Eu fugi deles durante anos. Não sei ainda o motivo, mas vou prontamente e de maneira disiciplinar iniciar a leitura. Estou em um vazio de significados e como o ser humano é uma máquina de produzir significados devo construir minha ferramenta conceitual para produzí-los... achei lindo!!!
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Depois de doze anos que sai de casa, por preguiça, saco e minha arrogância burguesa de classe média, nunca aprendi a cozinhar. Mas desde o início do meu ano zero, me propus a estar aberta a uma série de aventuras. Uma delas me provocou a dor da saudade que estava hiberando, mas o período de 'folga' acabou; outra me despertou uma consciência corporal que me levou a cuidar de mim, do que como - a gente é aquilo que come, não é? - e esta,  por sua vez, me levou a uma experiência prática a de... cozinhar. Ainda engatinhando, mas estou lavando peixe, cortando cebola e alho, temperando, entendendo o tempo de espera de cada alimento e aprendendo o prazer de comer o fruto do meu esforço. São pequenas tarefas cotidianas que aos poucos estou percebendo que são demarcadoras de um momento de vida.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Roubei lá do Café das Ilusões

Dei uma passadinha lá no café e não consegui resistir e 'roubei' o novo brinquedinho de lá para colocar aqui porque... ora porque? Porque é belo, é bom, é universal!

Baseado na obra de Victor Hugo:


Gangorra

Brincar de gangorra sempre foi uma coisa que me provocava um certo medo.
Quando estava em cima, tinha a falsa sensação de liberdade, ver amplamente tudo e, de repente, me dava conta que estava lá porque alguém lá embaixo me segurava e depois de algum tempo, aquilo me incomodava.
Quando estava em baixo, a sensação era de poder, mas ao mesmo tempo me angustiava que a vida de quem estava em cima dependia do meu querer.
Quando estava na transição, essas sensações sumiam e competíamos, eu eo outro...
8 ou 80? Tudo ou nada? Por que? Por que? Por que?

quinta-feira, 4 de março de 2010

Prestãção de contas

Não conversamos, só foi uma troca de emails.

- Você vai querer o miroondas? Então deposita nesta conta o valor dele ou deixa na portaria. Ficou um faqueiro e um DVD do U2?
- Fico sim com o microonda. Ah... o faqueiro? Ficou sim, mas o DVD, como eu tinha um igual, não precisaríamos ter dois em casa, lembra? Mas deixo tudo na portaria.

Essa prestação de contas de coisas tangíveis foi só o que restou? E o que eu tenho ainda para devolver retidas em mim como tatuagem, entrego onde e a quem?

quarta-feira, 3 de março de 2010

Coisinhas de hoje

À Ruben Bauer
Ele não sabe o quanto significou aquele presente. Não era só o presente celebrando o nosso encontro nessa vida, celebrando seu breve 'adeus, até mais', mas o que eu vi por meio dele. Estava eu lá, o meu atual momento estava lá, em um quadro premonitoriamente pintado.
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- Talvez ele tenha se sentido mais um fardo que uma alegria em  sua vida...
- É... é uma das qualidades dele, é a generosidade! Com certeza! Será?
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Roland Barthes disse que "[...] a origem de uma fala não a esgota; uma vez que uma fala se tenha lançada, mil aventuras lhe acontecem...".
Ela foi lançada e tenho vivido aos solapos das aventuras, mas não fugirei de nenhuma delas e provocarei outras...

terça-feira, 2 de março de 2010

Desencantamento

As coisas poderiam ser um pouco mais fáceis?
As pessoas certas poderiam se encontrar em momentos certos de suas vidas.
A criança tinha que nascer com saúde e viver assim.
O amor tinha que unir e não ser desfacelado.
Para boas idéias, as boas oportunidades
O trabalho penoso, o prazer da realização e da admiração.
A boa alimentação, a cura.
O sono poderia ser restaurador do dia, não o seu penar.
Sono jamais deveria virar um pesadelo (isso deveria ser proibido!)
O dia deveria ser lindo ou com sol, ou ou com a chuva.
Chuvas nunca destruiriam, nem o sol expulsaria pessoas de suas moradas
Os amigos deveriam estar sempre na rede de proteção.
Mas não é bem assim... ao que parece a vida é feita de soluços de vida
Às vezes com interrvalos de tempo em suspensão.
Nesses momentos um suspiro faz lembrar que ainda falta um tempo...
Para reaprender e voltar a se encantar novamente.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Silencioso diálogo que não existiu



- Eu tô com um imenso vazio no meu coração...

UM DIA INTEIRO DEPOIS

- Eu também!