Amanheci com uma suposta ingrata tarefa de cumprir uma 'social' onde trabalho. Uma palestra em que o tema parecia ser o mesmo do sempre. Ainda bem que fui porque o elemento surpresa estava lá. Fui agraciada com palavras de um homem muito inteligente, bem humorado e inspirador. Cheguei em casa e procurei por um dos seus livros que eu tinha certeza que tinha, mas depois de tantos 'o que é meu o que é teu' na minha vida, acho que ele se foi numa dessas. Agora estou aqui em volta de livros como "O Demônio do Meio Dia" de Andrew Solomon e " Felicidade" de Eduardo Gianetti. Eu fugi deles durante anos. Não sei ainda o motivo, mas vou prontamente e de maneira disiciplinar iniciar a leitura. Estou em um vazio de significados e como o ser humano é uma máquina de produzir significados devo construir minha ferramenta conceitual para produzí-los... achei lindo!!!
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Depois de doze anos que sai de casa, por preguiça, saco e minha arrogância burguesa de classe média, nunca aprendi a cozinhar. Mas desde o início do meu ano zero, me propus a estar aberta a uma série de aventuras. Uma delas me provocou a dor da saudade que estava hiberando, mas o período de 'folga' acabou; outra me despertou uma consciência corporal que me levou a cuidar de mim, do que como - a gente é aquilo que come, não é? - e esta, por sua vez, me levou a uma experiência prática a de... cozinhar. Ainda engatinhando, mas estou lavando peixe, cortando cebola e alho, temperando, entendendo o tempo de espera de cada alimento e aprendendo o prazer de comer o fruto do meu esforço. São pequenas tarefas cotidianas que aos poucos estou percebendo que são demarcadoras de um momento de vida.
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