sexta-feira, 16 de julho de 2010

Eu vou... destino: Brisbane

Cerca de 2 anos atrás em busca de uma linha de trabalho para doutorado, uma amiga se deparou  com um tema muito 'criativo'. Embarcou nessa e me chamou para viajar no tema. Isso foi tomando forma... outras pessoas apareceram, ideias foram sendo somadas, um projeto foi elaborado e enviado para um órgão de fomento, outras tantas pessoas foram sendo acionadas. Nos intervalos, eu ficava meio cética de que as coisas podiam caminhar, afinal de contas, a proposta era conhecer a experiência lá do outro lado do mundo. O tempo foi passando. O projeto foi aprovado, as pessoas mais confiantes monitoraram sabiamente e tudo correu bem. Claro que durante o percurso, não acreditávamos que ia dar tão certo, mas o esforço foi feito e admito, sou quase uma benficiada nessa história toda porque pouco fiz. Mas com a generosidade dos amigos que me enxergam com lentes desfocadas, cá me encontro.  Exatamente há um ano atrás eu estava no México. Fazia um tempo que não viajava prá tão longe. Mas as coisas sempre acontecem, insito nisso. E hoje, daqui a exatamente 5 horas, estarei embarcando para Brisbane, capital de Queensland, Austrália. Vou prá muito, muito longe. Vou contra rotação da terra. Vou para o 'futuro', claro que com data e hora certas para a volta ao passado... mas vou e quem sabe,  eu volto de novo prá lá.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Um pro lado, outro para outro

Eles viajam quase no mesmo dia. O mais intrigante é que 7 meses atrás, iriam juntos. Mas as coisas aconteceram de maneira diferente do planejado e eles viajarão, mas cada um para um destino, com propósitos distintos, tempos de permanência diferentes. Essas viagens podem mudar a vida de cada um, como também tudo permanecer como conhecido. Ao que parece, muita coisa vai acontecer. Ela receia o passado e seu poder de resgaste. Ela receia também que as coisas pulsem de tal maneira que o movimento seu será de migração. Ela deseja uma coisa e quer outra. Dele, pouco sabe. Só suas palavras, que ela, no fundo, desconfia de que não sejam cumpridas porque sabe que a força do tempo, o poder do sentimento e da fantasia são fortes. De qualquer maneira, a chave da casa ficou, de qualquer maneira, haverá sim o retorno dos dois, não para o mesmo ponto, mas para aquele lugar. Inevitavelmente ela saberá do que ocorreu nesses dias que ela foi para o lado de lá e ele, para o lado de cá. 

P.S: Desencontro, Raposo de França, 1982

Encontro casual, palavras e auto-engano

Uma parada para abastecer o carro. Por alguns minutos hesitou em não ser atendida em uma determinada bomba, preferiu 'a de sempre'. Essse tempo foi o suficiente para que as coisas acontecessem. Subitamente, um susto. Ela imaginou um assalto, uma ofensa e, com coração aos pulos, ela raivosamente se preparou para reagir quando deu de cara com aquele rosto tão familiar. O coração teve outro sobressalto, de outra natureza, mas ela não deixou notar. Troca de palavras, tentativa de explicações para a distância silenciosa, um futuro encontro, um não desencantado, tempo passando, o frentista esperando o pagamento, a despedida, um longo beijo na face dele, um outro em sua face, mais demorado, mais audacioso e um beijo de boca longo 'roubado', muito desejado. Ao final do dia de trabalho, ao chegar em casa, ela repassava cada minuto daquele encontro. Novamente o telefone, como que respondendo protamente ao desejo dela, toca. Era ele. Pediu para encontrá-la, queria conversar, vê-la, ficar junto. Um charme de resistência de um lado, um charme de desistência do outro e finalmente cederam e começou a roda viva, de novo. Reânimo no corpo, todos os sentidos aguçados, boa conversa, noite tumultuada, um pedido, um aceite, prolongamento do auto-engano. Naquele dia, só podiam ter ido até ali, não mais que até ali.

P.S: O Beijo, de Constantin Brancusi, 1910.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Presa na lentidão

Especialmente hoje, ela precisava de um fechamento verbal devido a ocorrência de novos fatos. Mas isso foi pela manhã. Ao final da tarde, ela percebeu que não precisava de nada disso. As palavras não cabiam mais, eram desnecessárias, não a favorecia em nada. Era um pretexto, puro pretexto de ficar próxima de quem não a quer por perto. Esse foi o choque da realidade que sempre esteve onde ela sempre estar, ali, majestosa, diante de nossos olhos. Ela finalmente acordou. A realidade não lhe convém, mas não há opção. Se pudesse, certamente estaria fazendo, planejando, curtido outras coisas, mas a situação foi outra. O bom é que pelo distanciamento, o controle voltou à suas mãos. Só o controle, não o bem-estar. Mas ela acredita que virá, com o tempo virá. Esses meses e outros que virão servirão de educação. A apredizagem dela é letárgica, mas ela aprende. Uma lástima que seja da pior maneira, mas o que fazer, cada um tem o seu tempo, o dela é esse... L E N T O...tão lento...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

À espera que o tempo passe...

Os dias estão largos demais. Por mais que durma, ela está exausta... não suporta vozes, há momentos que até consegue sorrir espontaneamente, mas ainda assim, é sacrifício demais. Ao seu redor, o quebra-cabeças do universo falta peças ou não se encaixa. Ela deve a todos e todos cobram dela e ela não sabe nem por onde começar a quitar seus débitos. Antes fossem dívidas materiais, mas são dívidas bem piores. O controle está flutuante. Mas não há medo, não há raiva, só a velha companheira da impaciência que ronda há anos sua vida. Não há caminho de volta, não há mais atalhos, um linha  reta que ela se nega a seguir. Uma vontade louca de ficar no casulo, sem ser incomodada por um longo tempo, mas seria pior esse isolamento. Por enquanto, estagnada à espera que esse tempo passe.