sábado, 25 de abril de 2009

Palavras de Espanca

Florbela Espanca foi um dos muitos achados de meus anos de vida. Em suas palavras encontro-me por vezes. As vezes triste, outras trágica, dramática e até alegre, mas sempre cheia de vida. Eis um dos seus poemas mais geniais por sua simplicidade, a síntese de um fim de uma história de amor e o tão conhecido embate de 'caso' e descaso'. Lindo!!!
Ódio?

Ódio por ele? Não... Se o amei tanto,
Se tanto bem lhe quis no meu passado,
Se o encontrei depois de o ter sonhado,
Se à vida assim roubei todo o encanto...

Que importa se mentiu? E se hoje o pranto
Turva o meu triste olhar, marmorizado,
Olhar de monja, trágico, gelado
Como um soturno e enorme Campo Santo!

Ah! Nunca mais amá-lo é já bastante!
Quero senti-lo doutra, bem distante,
Como se fora meu, calma e serena!

Ódio seria em mim saudade infinda,
Mágoa de o ter perdido, amor ainda.
Ódio por ele? Não... não vale a pena.

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